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Futebol e Guerra

Livro “Futebol e Guerra: Resistência, Triunfo e Tragédia do Dínamo na Kiev ocupada pelos nazistas”, de Andy Dougan, lançado no Brasil pela Zahar, em 2004, é nossa dica de livro

Felipe de Menezes Silva – Após realizar algumas leituras densas é natural querer ler um livro mais leve para relaxar. O objetivo era ler o livro em apenas um fim de semana e o escolhido foi “Futebol e Guerra”, do jornalista escocês Andy Dougan. O livro foi originalmente publicado em 2001 com o título “Dynamo: Defending the Honour of Kiev” (Dínamo: Defendendo a Honra de Kiev) e a edição em português foi lançada pela Zahar em 2004. Aparentemente, pode parecer estranho buscar leveza em uma leitura que envolve territórios ocupados por nazistas no leste europeu, onde as piores barbáries foram perpetradas. No entanto, o estio predominantemente descritivo do livro torna a leitura leve, dinâmica e bastante acessível para aqueles sem conhecimentos históricos mais aprofundados.

F.C. Start

Foto do time do F.C Start.

O livro nos faz acompanhar um grupo de jogadores do Dínamo de Kiev, time ucraniano do NKVD, antes e durante a II Guerra Mundial. Na Kiev ocupada, o futebol que havia sido interrompido pela guerra é reativado por ordem dos alemães. Os remanescentes do antigo Dínamo, então, fundam um novo clube: o F.C. Start. Durante alguns meses do ano de 1943, o novo time atinge a glória com suas vitórias, mas, ao mesmo tempo, encontra o seu trágico destino ao derrotar por duas vezes uma equipe, Flakelf, composta por membros das SS.

Essa é a narrativa principal do livro, mas não a única. Para o leitor leigo (não-historiadores) essa é uma boa maneira de entrar em contato com alguns temas da II Guerra Mundial. A ideologia nazista de superioridade racial, os acordos com Stálin, a Operação Barbarossa (invasão da URSS), a brutal guerra de extermínio no leste europeu, além de alguns aspectos da sociedade soviética como o culto aos esportes e ao vigor físico deste universo. O livro também apresenta nos capítulos finais uma interessante discussão sobre o uso político da memória da “Partida da Morte”, nome dado a partida entre o F.C Start e o Flakelf. Toda a narrativa é intercalada com citações de documentos, relatórios nazistas e de personagens direta ou indiretamente envolvidos no episódio.

Também vale destacar que o livro acerta em tratar o esporte, e, no caso, o futebol, como um tema digno de atenção e pesquisa, superando o velho estigma do futebol como uma atividade alienante e que, portanto, não merece ser devidamente pesquisada.

Aos amantes do futebol e aos interessados por II Guerra Mundial, temas que tradicionalmente atraem bastante o grande público e ainda ocupam um significativo espaço em nosso imaginário, este curto livro (209 páginas) apresenta-se como uma boa “leitura de fim de semana”.

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